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segunda-feira, 18 de junho de 2012

Quer melhorar o transporte público no Rio?

Pra você que é Carioca, não suporta o caos diário no nosso trânsito e o stress dentro de ônibus, trens e metrôs - imagine como sua vida seria se:

ÔNIBUS:

Os motoristas fossem treinados para arrancar e freiar os ônibus de forma suave, sem trancos (que derrubam as pessoas, causam desconforto e prejudicam o próprio veículo);

Se os motoristas fossem fiscalizados para que parassem em todos os pontos em que fossem chamados sem forçar os usuários a correr atrás dos mesmos ou correr risco de vida entrando ou saindo dos ônibus longe da calçada;

Se os mesmos só saíssem dos pontos após os passageiros terem pago a passagem e estarem confortáveis para se locomover no veículo (não necessariamente sentados, mas ao menos com suas carteiras ou bolsas fechadas);

Se os motoristas e trocadores fossem instruídos a respeitar a lei e não fumarem dentro dos veículos;

Se os motoristas e trocadores fossem instruídos a respeitar a lei e não ouvir música dentro dos veículos;

Se os motoristas parassem os ônibus e solicitassem que os passageiros que desobedecessem a lei anti-fumo  apagassem imediatamente o cigarro, mantendo o veículo parado enquanto a solicitação não fosse atendida e, mediante persistência do fumante, que acionassem a polícia pra retirar o indivíduo dos ônibus;

Se o mesmo fosse aplicado a pessoas que ouvem música em celulares e aparelhos sonoros dentro dos ônibus (e que fosse sugerido a usuários de Nextel que não usassem a função viva-voz dentro dos veículos);

Se houvesse viaturas da polícia situadas em pontos de ônibus estratégicos (locais de muita movimentação de usuários, como a Central do Brasil) com a função de inibir a invasão dos coletivos por mendingos, usuários de drogas e menores de rua;

Se os usuários fossem educados e cedessem voluntariamente seus lugares a pessoas idosas, grávidas, com crianças ou deficientes mesmo que não estivessem ocupando assentos reservados a estes usuários;

Se as empresas recebessem multas pesadas mediante infrações de trânsito como ultrapassagem de sinal, direção em alta velocidade e interdição de cruzamentos.

METRÔ:

Se os usuários fossem educados e cedessem voluntariamente seus lugares a pessoas idosas, grávidas, com crianças ou deficientes mesmo que não estivessem ocupando assentos reservados a estes usuários;

Se houvesse melhor treinamento dos condutores de metrô ou manutenção dos carros para que não houvesse mais freiadas bruscas (que acontecem em todos os trens diariamente);

Se o Metrô Rio oferecesse o dobro da frota atual de trens;

Se as pessoas saíssem mais cedo de casa ou tivessem mais paciência ao voltar para suas casas deixando de embarcar em trens lotados (reduzindo o lucro da empresa por um serviço mal prestado);

Se as estações fossem dotadas de banheiros e bebedouros (já que uma vez dentro da estação, não há como utilizar um banheiro externo ou comprar água fora da estação sem a perda do direito a embarcar novamente);

Se fosse impedida a circulação de trens com pessoas sem camisa ou falando em altos brados;

Se fossem retirados da composição pedintes e religiosos que ficam rezando durante a viagem e incomodando os passageiros.


Estas não são condições utópicas. Basta mobilização e conscientização da sociedade pra que estes pequenos detalhes se tornem melhorias enormes na qualidade de vida de quem depende de transportes públicos no Rio de Janeiro.

      segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

      METRÔ RIO e Transportes alternativos - Água e azeite!


      Tenho uma bicicleta dobrável que ocupa, dobrada, um espaço 20% menor em comprimento e 30% menor em altura se comparada a uma cadeira de rodas. O Metrô Rio me impede de andar diariamente com a bicicleta baseados nos seguintes raciocínios:



      1- "mesmo dobrada ela continua sendo bicicleta, e sendo bicicleta só pode ser usada no Metrô aos fins de semana!" (raciocínio lógico de um babuíno!)

      2 - "O Metrô Rio está sempre fiscalizando as estações para evitar que pessoas entrem nos trens com volumes muito grandes, que atrapalhem o conforto dos outros passageiros."

      Então como eles justificam o fato de que durante TODO O MÊS DE JANEIRO e durante o carnaval as pessoas circulavam diariamente com 1 e até 2 caixas de isopor dentro dos trens sem serem perturbadas por agentes nas estações???

      Como justificar a entrada de caixas que ocupam 3 vezes o volume de minha bicicleta dobrada e não permitir minha entrada sob a alegação de que minha bicicleta é "muito volumosa"?

      ME RESPONDA, METRÔ RIO, QUAL A LÓGICA DESTE RACIOCÍNIO?!


      domingo, 3 de janeiro de 2010

      Bicicleta X Metrô: O marketing da hipocrisia

      Sou carioca e circulo pela cidade de bicicleta há mais de 15 anos. Não sou o ciclista mais aparamentado da cidade, mas minha bicicleta tem os piscas traseiro e dianteiro, buzina e luz de freio. Ando sempre pela direita da rua e vocifero o código de trânsito - que me garante o direito de circular no asfalto e ser protegido por veículos maiores - a ônibus e motoristas de passeio mal informados.
      Como estou trabalhando num local que me toma mais de 1 hora de deslocamento via pedal, resolvi tentar o serviço oferecido pelo Metrô: transportar minha bike da zona norte à sul da cidade sem fazer pit stop em C.T.I. ao final do percurso.
      O Metrô oferece o serviço aos sábados (a partir das 14h) e domingos e feriados durante todo o dia. Resolvi fazer o teste no sábado.
      Como fui trabalhar cedo, tomei coragem e suei na magrela por 1h10m até o Leblon. Na volta contornei a orla até a estação Cantagalo.
      O serviço oferecido é tão recente e desconhecido que ao entrar no metrô com a bicicleta me senti um pouco como um astronauta e cheguei a fazer um check up das vestimentas pra garantir que nenhum pedaço de "pele" estivesse visível. Tudo OK.
      Chegando nas roletas encontrei uma adaptação para passar as bicicletas rente ao chão (e evitar distribuir bordoadas com a roda traseira em outros passageiros). Adaptação tosca, diga-se de passagem: uma das grades foi serrada de forma que meu pneu traseiro passou perfeitamente pela fresta. SÓ o pneu... A suspensão dianteira não passou nem por decreto e o auxiliar do metrô, percebendo meu problema, prontamente me deu de costas e foi conferir algo mais importante na sala de segurança. Como meu cansaço era maior que a paciência, coloquei a bicicleta no ombro e lá fomos nós pela roleta. Nesse momento o rapaz mostrou um interesse repentino pela minha pessoa e me passou um sermão amigável "por favor, na próxima vez passe a bicicleta pela grade". Ao que eu repliquei "a suspensão da minha roda dianteira não passa por ali". Ele: "era só chamar que eu abria a cancela". Seria prático, se o mesmo não tivesse ignorado minha chegada com a bike 1 minuto antes....
      Chegando à plataforma, de novo a sensação de ser um astronauta. Mas dessa vez percebi olhares incomodados. Era como se eu fosse um catador de lixo esperando o metrô com meu carrinho à frente. Me dirigi pro final da plataforma, onde encontrei o adesivo no piso indicando o vagão de "carga". Veio o metrô e foi o metrô... Ele não parou no local indicado! Como a composição tinha menos carros, tive que dar uma corridinha leve pra alcançar meu vagão... e disputar lugar entre olhares crucificadores.
      Encostei no fundo do carro com a bike como se fosse um adolescente dando uns amassos na namoradinha. O carro enchendo e barrigas alheias apertando o selim, costelas batendo no guidão e a sensação de ser o errado da estória só piorando.
      A voz informa: "Estácio. Estação de transferência para linha 2". Depois de cutucar e pedir uns 5 "com licença" fui parido para a plataforma. Bike ao ombro, lá foi o mutante descendo a "escadaria da Penha" até a plataforma da linha 2. Ali eu já não era mais mutante, eu era um louco fugindo do hospício. Olhares incrédulos e risinhos contidos. Nenhuma indicação no piso sobre a posição do carro para ciclistas. Passei por uma montanha com uniforme do Metrô e walkie-talkie que ignorou solenemente a mim e a bicicleta . Fui até o final (ao menos eu achava que fosse...) da plataforma disputar lugar na multidão. Inseguro quanto ao lado em que o trem pararia, fui perguntar a um funcionário que papeava com seu camarada se aquele era o final da estação. Não era. O trem chega naquele momento e lá vou eu correndo "aos passos" e empurrando a magrela pelo outro lado da plataforma. O condutor deve ter tido pena de mim (ou achado graça) e parece ter me esperado entrar com a bicicleta no vagão surpreendentemente vazio. Encostei na porta direita e esperei minha estação chegar.
      Ao chegar nas roletas de saída, nenhuma adaptação para sair com a bicicleta pela grade. Aliás, nenhum funcionário à vista para ao menos me guiar por mímica de dentro do aquário de observação...
      Resumo da estória: o Metrô inova ao permitir que ciclistas se lancem à própria sorte pelos obstáculos de seus trens e estações e garante uma viagem com mal estar e total falta de assistência. Sobra propaganda e faltam medidas reais para garantir uma viagem tranquila a pessoas que queiram passear com suas magrelas pela cidade. Ainda bem que nossa cidade não foi escolhida para sediar nenhum evento importante nos próximos anos! Já pensou o caos que seria?

      PS: mas a penitência não é tão grande. Por enquanto é só aos fins de semana e feriados....