quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Legião da Boa Vontade 2.0 (ou correntes imbecis no Facebook)

Sabe quando você vê aquela foto bizarra dos bebês siameses hidrocéfalos canhotos, com um texto garantindo que se você compartilhá-la Bill Gates vai transformar seus cliques em caixas de Cremogema a ser enviadas de helicóptero para a favela no Camboja onde a criança mora?

Então... Não rola.

Meu Pé de Laranja Lima 2012... O que foi aquilo?

Essa manhã o vento trouxe a meus pés um desses jornais gratuitos distribuídos em sinais de trânsito. Supersticioso como sou, não desdenhei da leitura encardida de poeira. E ao passar a vista por uma das páginas, meus olhos fotografaram as palavras "pé" e "laranja" numa mesma linha. O coração bateu mais forte... Seria coincidência?

Fixei a vista e não tive dúvida: "Meu Pé de Laranja Lima". Aquele título mágico pintado num jornal tão atual... Mas do que se trataria aquela nota?

O FILME!!!! Será?!?! N-Ã-O A-C-R-E-D-I-T-O !!!! O FILME!

Eu sabia do filme! Soube há mais de um ano enquanto fazia buscas no Google para meu TCC sobre o livro e a obra do Zé Mauro. Eu tenho essa intimidade com ele: não o chamo José Mauro de Vasconcelos. Nem Zezé. Para mim ele é o Zé Mauro...

E o trato como um amigo, pois vivemos ambos infâncias de pés descalços, de fazer arte na rua, de bolas de gudes e pipas, de palmadas. Ele viu o Mangaratiba feroz cruzando Bangu. Eu vivi minha infância entre Paraty e Rio de Janeiro, namorando as intermináveis composições cheias de minério sobre os derradeiros trilhos em Mangaratiba.

Zé Mauro teve a Rosinha. Eu desci inúmeras canoas areia abaixo e remei as águas calmas da baía do Saco da Velha, em Paraty.

Ambos entrávamos no mato de facão e calças compridas (para não voltar com as pernas cheias de arranhões da mata e carrapichos). Saíamos com cachos de banana e tirávamos a cica das mãos com óleo de cozinha (porque água só piorava o visgo...)

Somos ambos simples em nossas visões do mundo. Nada de riquezas. Nada de frescuras. Só a liberdade de correr pro mato quando a vida na cidade grande enlouquece...

Todas essas semelhanças me fazem procurar cada vez mais estar em contato com seu mundo, procurar mais histórias, como um filho que tenta se parecer com o pai que nunca conheceu.... E, dotado deste espírito, recebi a notícia da refilmagem de Meu Pé de Laranja Lima, que seria exibida durante o Festival do Rio 2012.

Estou voltando nesse momento do Cinemark Botafogo. Infelizmente desolado...

O filme original, de Aurélio Teixeira, não dispunha de tecnologia ou de conhecimento técnico (provavelmente nem mesmo de recursos financeiros...) para retratar o texto do livro de outra forma que não a literal. Cena a cena tiradas de cada passagem, como numa fotonovela.

E diante desta constatação, eu julguei errônea e premeditadamente que o jogo estaria ganho; não havia como a refilmagem ser inferior ao original. Isso me encheu de alegria por antecipação. E com tristeza constatei que, de fato, eu "perdi a partida"... Como Zezé, eu esperei pelo meu "Raio-de-Luar cinematográfico". E me senti como menino diabo, esquecido por Deus sem motivos...

A trama foi transposta para alguma cidade de Minas Gerais (cuja identidade foi escondida mesmo após a pergunta direta da professora de Zezé, em sala de aula).  O que aconteceu com o calor de Bangu? Vemos um Zezé andando de jaqueta(!) pelas ruas. Eu até entendo que o clima estivesse frio durante as filmagens (já que o interior de Minas é muito frio no inverno), mas aquele menino estava muito limpinho e arrumado demais para retratar um garoto que, no livro, mal teve ceia de Natal... 

O menino que interpreta Zezé é até carismático, mas muito menos expressivo em sua revolta... E o Rei Luis parece um autômato, um ator cru demais para interpretar o papel. Fez falta ver um Zezé com semblante mais revoltado, mais debochado, mais moleque de rua. Em vez disso escolheram como ator um menino com todas as características do burguesinho Serginho, o amigo rico da bicicleta nova.

Porque Godóia virou uma pré-adolescente com cara de biscoito Trakinas? Onde foi parar a irmã madura, experiente e sofrida? Ela só manifesta alguma tristeza - muito mal, diga-se de passagem - na cena em que tenta consolar Zezé após a surra de Jandira. E passa o resto do filme sorrindo...

Eu teria chamado o John Woo para desacelerar todas as passagens emblemáticas do filme, que parecem ter sido compactadas por falta de verba. O que foi aquele meio frame representando o desabafo de Zezé na frente do pai pobre na manhã de natal? Que desperdício de passagens antológicas... Em vez dos "olhos gigantes" do pai (olhos que tomavam a tela do cinema Bangu), um vulto na porta do quarto que se esgueira casa adentro como se fosse o Batman procurando refugio nas sombras...

E o que aconteceu com o pai de Zezé? Virou esse galã de comercial de plano de saúde familiar, de voz macia com suas camisas xadrez coloridas bem passadas, como se fosse um ator global vindo das compras em Ipanema... Não convenceu.

E não me recordo de nenhuma passagem do livro dando a entender que o pai de Zezé tivesse problemas com bebida (ou vivesse no bar...)

O mesmo efeito me causou José de Abreu, naquele sotaque ioiô cujas nuances de pronúncia iam do lusitano ao gaúcho, como se não se decidisse sobre sua origem. Onde foi parar o Portuga bonachão? E o que foi aquele enquadramento na cena do sermão do "morcego"? Tentando apelar para a memória dos fãs de Avenida Brasil? (de acordo com comentários sobre esta postagem, o filme é anterior à novela. E a culpa pela cena tosca é do diretor, não dele...) Foi só nojento.

Faltaram passagens interessantíssimas. O aprendizado da leitura com Tio Edmundo. A travessia da Rio-Santos com Totoca. A bicicleta do amigo rico, Serginho. A confissão à professora do lanchinho compartilhado com a amiguinha pobre...

Mas sobraram denúncias politicamente corretas, numa tentativa de "corrigir" a trama original às vistas da atualidade: Zezé deixa de aparecer nu na cena da pescaria, mas aparece com hematomas após uma surra dos pais - coisa que faria qualquer adulto da atualidade tirar satisfações com os pais ou denunciá-los às autoridades - e a cena fica como uma mensagem vazia boiando no meio do filme ("ninguém é preso no livro, gente... Ih... Mas agora a cena já passou! Deixa pra lá! Ninguém vai perceber esse recado pela metade!"). E o mesmo volta a acontecer quando o médico analisa a febre psicológica de Zezé após a morte do Portuga. Os pais sem jeito trocando olhares culpados... e termina por ali. Ao menos não chamaram o Wagner Montes ou ligaram para o disque-denúncia!

E além do figurino fazendo merchandising de algum magazine brasileiro, o que aconteceu com a trilha sonora? O diretor parece ter se inspirado em Cinema Paradiso e encarregou algumas pessoas de imitar o genial Ennio Morricone, quase esmagando o pequeno Zezé com sua sonoridade desnecessariamente pesada para cenas de pouca intensidade.

Ao final da exibição do filme havia um grupinho, sentado na mesma fila, na sessão a que assisti, que  puxou as palmas de uma platéia mista de curiosos perdidos na sessão e velhinhas entediadas fugindo de desenhos 3D. Triste...

Aos responsáveis pelo filme fica a pergunta: o que foi aquilo a que eu acabara de assistir???

A Zé Mauro, onde quer que esteja, fica o recado: não foi dessa vez que matei minhas saudades...


PS: Hoje, aos 19 de abril de 2013, descobri a possível motivação para a escolha do ator bochechudinho para o papel do Zezé. O menino é filho do cantor sertanejo Leonardo... Sem mais.



segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Já é outubro... "Ho-Ho-Ho"!

Já é Outubro... O período do ano em que o comércio transforma 3 meses em um limbo. 
Aí chega o Natal, as pessoas se engasgam com 5 rabanadas e vinho e saem correndo 
pra comprar presentes de última hora e assassinar vendedoras lerdas e motoristas 
barbeiros. Mas logo vem  o Reveillon e todo mundo jura que vai fazer dieta, terminar relacionamentos estranhos, respeitar o próximo, ser mais paciente... e no dia 2 de Janeiro as promessas já viraram passado e o ciclo doentio recomeça...


O ser humano é curioso.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Precisando de ajuda pra escolher seu vereador?

Compartilho publicamente meus critérios para escolha do meu candidato a vereador...




Caso você esteja concorrendo ao mencionado cargo, ou venha a concorrer futuramente a senador, deputado, prefeito, governador ou presidente, saiba que o texto acima está utilizando uma figura de linguagem conhecida como sarcasmo. 

Repetir seu número "fácil" até que eu o decore não vai fazer com que eu vote em você! 

Pagar um filho da puta pra passar com um carro de som na minha porta várias vezes ao dia tocando um jingle (de mal gosto ou sendo cantado pelo Roberto Carlos) não vai me persuadir a votar em você, mas pode me fazer causar algum tipo de prejuízo sério ao carro desta pessoa.


Botar placas no meu caminho ou colocar placas com sua foto presas a minha casa sem minha autorização vão me fazer entrar com um processo contra você e partilhar com conhecidos, familiares e amigos quanto a sua postura.

Nas próximas eleições, faça realmente algo diferente! crie um site com suas propostas e histórico político. 

Não foda com a paciência da população! Não somos (todos) comprados com churrascadas ou promessas de asfaltamento ou tijolos e cimento pra terminar de bater uma laje. 


O grande problema da maioria da população é que não temos tempo pra sair do trabalho mais cedo e lhe procurarmos para quebrar sua cara de porrada!


Um eleitor muito frustrado.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Sete de Setembro Carioca


7 de Setembro

Nessa data é comemorado anualmente no Rio de Janeiro o dia do

"Trabalha Hoje e Usa a Presidente Vargas? FODA-SE!"

É uma data peculiar em que o exército brasileiro apresenta, em um desfile exuberante, todo o potencial militar que não é usado para garantir a segurança da população no dia a dia ou proteger as fronteiras do país.

Nessa data o exército toma a liberdade de fazer uma gincana "fica esperto" com os usuários de linhas de ônibus que cruzam a Avenida Presidente Vargas. Eles fecham a avenida para o desfile e, numa atitude totalmente lúdica, deixam que motoristas de ônibus e passageiros brinquem nas ruas e vielas do entorno da Avenida, esgueirando-se de tanques de guerra estacionados, trafegando na contra-mão ou mesmo esperando 20 minutos pela liberação de ruas que os motoristas achavam que não iam estar interditadas. E quando, finalmente, os motoristas voltam ao seu caminho usual, eles já estão com um atraso de 20 minutos a 1 hora além do convencional...

Então, se você é um cidadão carioca que lida com a situação anualmente, lembre-se de sorrir pro seu chefe quando chegar com 1 hora de atraso ao trabalho dizendo:


"- Foi por causa da parada, chefe!"

Feliz 7 de setembro...