quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Vó Dorinha...

Espero que tenha sido só comigo, mas tenho pra mim que esse foi um dos Natais mais insignificantes que eu já passei. Talvez pela ausência de minha avó, dona Dora, que resolveu tirar o time de campo faltando 4 dias pro Natal ano passado... A senhora fez falta e vai fazer por muito tempo, dona Dorinha! Sinto falta da sua presença à minha volta. Sua voz gritando "Dedé! O almoço tá pronto!". Sinto falta de ouvir a senhora resmungando das dores (sempre!) como resposta a todos os meus "bom dia, vó!". Ah, os moços da Comlurb têm passado no horário certinho e eu quase não tenho mais esquecido de colocar o lixo pra fora nos dias ímpares. Sinto falta de ouvir a senhora enaltecer saudosamente sua infância, sua mocidade, suas músicas, cinemas, modismos, comportamentos... Sinto muita, muita, muita, muita falta mesmo de deitar no seu colo e ganhar aquele cafuné espontâneo. Sinto falta do seu sorriso sincero e ávido por novidades me esperando à porta (mesmo que eu tivesse apenas ido à praia...). Sinto falta.... a cada vez que digo "sinto falta", vó, eu engasgo um pouco e prendo o choro como um idiota! Talvez não seja tanto idiotice, quanto desejo de continuar a falar da senhora...
Aliás, a senhora tinha defeitos. E quem não tem né, vó? Sua teimosia, seu machismo, seu deboche... Ai que raiva dos seus deboches! rsrsrs... Sabia que a senhora foi quem me apresentou ao Krot? Nunca mais consegui resistir àquela mistura mágica de chocolate e amendoim... Foi nas férias, eu devia ter uns 12 anos. A família toda esmagada contras as paredes de uma Parati azul indo pra casa da Tia Alcione em Cabo Frio... E aquela história de que "na casa da avó o neto pode tudo"? Como a sua casa sempre foi a minha, sempre haveria conflitos disciplinares entre a senhora e minha mãe... Afinal de contas não é toda avó que leva o neto pra ver Robocop no cinema sabendo que o garoto "batalhou" o ano inteiro pra ficar de recuperação em matemática no verão.
Tenho que dizer que a senhora sempre foi um referencial de cultura e inteligência na minha infância. Foi ao seu lado que aprendi a ler e estudei até a quarta série. Imitando a senhora passei a me alimentar de livros, revistas e qualquer palavra que estivesse dando sopa pela frente! Mas foi a senhora também que influenciou minha tara por videogames. Quantas avós por aí acertariam em comprar o cartucho de Atari que o neto queria de Natal? E destas, quantas teriam dado pro netinho em recuperação? Hahahahaha... Vó.... Saudades pra cacete das suas mãos carinhosas.... dos seus óculos.... sua pele... Ainda ouço a senhora quando chego em casa: "Oi, filho... Olha: tem o arroz no fogão... eu fiz uma saladinha só com o tomate porque ninguém lembra de passar no mercado e comprar um pé de alface.. olha: ligou uma moça pra você. Foi ligação interrubana!... Eu vou deitar um pouquinho agora porque não tem nada que preste na televisão"
Deita, vó. Amanhã cedo eu entro devagarinho no seu quarto e vou me aninhar no seu colo!

PS: Teve um dia, quando eu tinha uns 10 anos, que eu dormi com a senhora. Acordei na sua cama, com o sol entrando pela janela e batendo no meu rosto. Naquele dia eu fui feliz. Agora eu vou chorar um pouco vó... Te amo, dona Dora!

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Hipopótama ataca na Barra!!!


Uma hipopótama engoliu um ciclista e fugiu em sua bicicleta diante de uma multidão atônita que passeava no calçadão da praia da Barra da Tijuca.

PS: pra que o autor do blog não passe por preconceituoso, vale lembrar que a criatura selvagem da foto não é uma figura anônima. Na verdade ela vive do corpo e deveria ser uma melancia suculenta. Devido ao uso indiscriminado de agrotóxicos aplicado à fruta, o nível de mutação sofrido por esta melancia alcançou níveis nunca antes vistos!

terça-feira, 24 de junho de 2008

segunda-feira, 10 de março de 2008

Vestibular nota 10; Consciência social: 0.



Nesta sexta-feira, passeando pelos arredores da praça Saens Peña, cruzei com alguns calouros da UFRJ devidamente humilhados com pinturas e roupas íntimas vestidas sobre calças e blusas. Solidarizei-me com a situação mas, por não ter dinheiro trocado, não contribui com nenhum deles. O que realmente me deixou chocado foi que, ao entrar na lanchonete do grande M próxima a um shopping, um grupo de ávidas veteranas contabilizava bolos de notas de R$1 e R$2,00 e separava dezenas de moedas. Eram todas meninas bem vestidas e de aparência saudável. Provavelmente foram criadas com todo o conforto e tiveram condições para pagar um pré-vestibular e ser aprovadas para a UFRJ . Estes cursos enfatizam os assuntos abordados com mais freqüência nos vestibulares, mas não lecionam sociologia e noções de cidadania (mesmo porque, espera-se que este tipo de conhecimento já seja inerente ao aluno que ingressa numa universidade).
Minha vontade foi de passar um sermão naquela meia dúzia de cabeças, mas seria em vão. Com a nobre desculpa de estarem "preservando uma tradição", repetem um ritual grosseiro e estúpido às cegas todos os anos. Será que elas não perceberam que ao lado dos calouros humilhados havia famílias de indigentes e moradores de rua? Será que elas têm consciência de que seus colegas humilhados estão competindo por doações com pessoas que vivem de esmolas para comer um pedaço de pão? Será que estas jovens bem vestidas não conseguiriam arrecadar entre si (ou ao menos dentro do campus) o valor necessário para sua festinha regada a chopp?
Numa última tentativa de acalmar meu espírito diante daquele absurdo, sentei-me à mesa ao lado das veteranas. Tive a esperança de ouvir que aquele montante seria doado a alguma instituição de caridade, orfanato ou asilo. Mas minha ingênua esperança sucumbiu ante o comentário "vou beber muito!" vindo de uma das notáveis moças presentes. Levantei e saí, não sem lançar um olhar de reprovação com a cena, captado por duas jovens que se limitaram a fechar os sorrisos (culpa?).
Esse é o retrato do Brasil do futuro. Sei que o comportamento apresentado por esse grupo não representa a totalidade dos jovens brasileiros, mas é triste constatar que uma grande parcela de nossa sociedade continua crescendo e enxergando apenas o próprio umbigo...

domingo, 11 de novembro de 2007

PROTESTO CONTRA BANDA BEESHOP

Se já não bastasse o preconceito sofrido por pessoas que têm eplilepsia quando estranhos mal informados testemunham uma crise convulsiva e não sabem lidar com o fato, agora vem um cantor / grupo de rock estimular a desinformação e o preconceito contra epiléticos... No clipe da música "mr. confusion", cujo autor é o Sr. Lucas Beeshop (que também é vocalista da banda FRESNO), o próprio fica desenhando num quadro negro caricaturas das hipotéticas mulheres com quem poderia se relacionar e atribuindo defeitos a cada uma: "ansiosa", "fala muito", etc. E dentre estas candidatas problemáticas surge uma estigmatizada com a palavra "EPILEPTIC" (é... o cara é brasileiro, mas a música é em inglês) e a possível namorada (juntamente com as outras imperfeitas) é apagada do quadro por ser "defeituosa".


Acredito que o autor da idéia do clipe (o diretor chama-se Alexandre Nickel) foi muito infeliz e acredito que um pedido de desculpas e o corte desta cena seriam o mínimo que eles poderiam fazer para corrigir esta gafe terrível (além do fato de que, pelo clipe estar em inglês, torna-se passível de espalhar esta visão preconceituosa contra pessoas epiléticas para públicos de outros países...)

Conto com a colaboração de todos aqueles que conhecem ou lidam diretamente com epiléticos para que  protestem e repudiem este clipe!

André Diniz.

PS: a banda / artista tem um perfil no site MYSPACE e a música "mr. confusion" pode ser assistida no YOUTUBE.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007